Os primeiros achados arqueológicos
No Neolítico, há cerca de 7.000 a.C., o homem se sedentarizou na Grécia. Nas planícies da Tessália, ele plantou, ao invés de colher seus alimentos, e criou animais, ao invés de apenas caçar. Passou a cultuar forças ligadas à fertilidade. Isso é o que contamos sobre o início da religião grega a partir dos achados arqueológicos recentes. Um sítio arqueológico na Turquia nos deu uma estatueta de uma figura feminina gorda, sentada num trono, os apoios dos braços na forma de feras selvagens. Ela está nua, tem os seios e a barriga grandes, e provavelmente está parindo. Possivelmente uma representação da fertilidade. Em um outro sítio, dessa vez localizado em uma das ilhas do Cicládico, ao sul do mar Egeu, foi encontrada uma estatueta também feminina, com os braços cruzados sob os seios, apoiando-se sobre as pontas dos pés e apontando o rosto para cima. São imagens mudas, interpretadas a partir de outros dados, relativos ao modo de vida daqueles homens (das inscrições encontradas posteriormente e dos textos conservados). "The abstract yet harmoniously finished form is fascinating to the modern eye; interpretation in terms of the history of religion remains no more than speculation. Are they representations of a Great Goddess, the mother of life and death, or are they goddesses, or nymphs, or gifts to the dead intended to serve him in another world?" (Burkert, Greek Religion, p.14 e 15). Na Tessália foi encontrada uma estatueta de uma mulher com uma criança no colo, e outra de homem, com um grande pênis demarcador de território. Aquele achado nas cíclades sugere um fluxo leste-oeste, que desde sempre nutriu a Grécia com alimentos, artesanato e influencias religiosas orientais. O trigo e a cevada que se plantava na Tessália, no Neolítico, e os porcos e as ovelhas que ali se criavam, não eram originais da terra. Um dos lugares de passagem provavelmente foram as Cíclades. Numa delas, em Naxos, há um santuário dedicado a Demeter. Em diversos lugares da Grécia realizaram-se as Tesmofórias, festas para a deusa da fertilidade, que agora tinha um nome. As procissões, os ritos e os cantos se perderam; ficaram altares de pedra, com restos de ossos de animais e cinzas, além de grandes buracos para cremação coletiva de animais e vasos de cerâmica com marcas de incineração. Estatuetas de porcos apontam para o animal que mais se entregava à deusa, embora também se oferecessem ovelhas, cabras e bois.
Referência
Walter Burkert - Greek Religion
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