O início dos gregos
A célula original da Grécia é a bacia do mar Egeu, delimitada pelo oriente próximo, pela ilha de Creta, ao sul, e pelo continente grego, a oeste. Há um conjunto de ilhas ao sul do Egeu, chamadas cíclades, e ilhas espalhadas mais ao norte. O relevo é predominantemente rochoso, mas há planícies na Macedônia, ao norte do monte Olimpo, e mais ao sul, na Tessália. Antes que os gregos dominassem o ferro e então desenvolvessem ferramentas agrícolas duráveis, o que ocorreria a partir do século XII a.C., não eram bons os resultados nas plantações. Plantava-se sobretudo oliveiras, uvas e cereais, e também leguminosas e frutas. O azeite era bastante valorizado, sendo exportado para o oriente e o Egito, e usado, além da alimentação, nos cuidados corporais e na iluminação. O vinho era consumido misturado com água. A dieta do grego também incluía mel, carne e leite. A carne era consumida apenas em eventos religiosos. Estima-se que um cidadão ateniense do século V. a.C. tenha quarenta dessas oportunidades por ano. Os animais eram sacrificados e repartidos conforme a hierarquia social. O terreno rochoso permitia a criação de pequenos animais, como ovinos e porcos, mas nas planícies criavam-se cavalos e bois. Inicialmente os gregos eram mais agricultores do que navegantes. Na Grécia, as distâncias entre os lugares são curtas, navegando-se logo se chega a uma ilha, as cidades são próximas umas das outras, o litoral nunca é muito distante de qualquer ponto no continente, mas, devido ao relevo ser acidentado, o acesso de uma cidade a outra ou para o mar é difícil. A respeito da navegação ainda havia o perigo da pirataria. Até o século VII a.C., quando haverá um aprimoramento na produção, o aumento populacional e a prosperidade de algumas cidades, os gregos sofrerão com a pobreza e a carestia. A Grécia fica localizada na Península Balcânica, que inclui Albânia, Croácia, Macedônia e outros países. A ocupação da península data de aproximadamente 40.000 a.C., no período Neolítico. A chegada dos indo-europeus, vindos da Ásia, ocorreu aproximadamente no ano 3.000 a.C., no Bronze Antigo. Em Creta, os indo-europeus encontraram plenas condições de criar uma grande civilização. A civilização minóica será uma sociedade organizada política e economicamente a partir do palácio, construção de forma retangular, com mais de 1000 m², habitado pelo wanaka (anax, na poesia de Homero) e que recebia e distribuía todos os víveres e armas produzidos pela população. O inventário desses itens era feito em tabuinhas e as inscrições eram em linear a, língua ainda não decifrada. O wanaka possuía terras e provavelmente exercia função religiosa. O rawaketa possuía menos terras e provavelmente era um sacerdote. Os principais reinos cretenses eram Cnossos, Mália e Festos. Cada um deles era dividido em províncias e, estas, em distritos. Cada distrito era governado por um korete, e as províncias, pelos damokoro (o damos refere a comunidade rural). O qasireu não exercia função administrativa oficial, mas ligava-se aos conselhos de anciãos locais. Os palácios eram ricamente decorados, com a entrada guardada por colunas, um amplo pátio interno, paredes com afrescos representando batalhas, objetos de ouro e marfim, e escadas laterais para outros pavimentos. As casas da população também seguiam o padrão retangular. Com o uso de ferramentas de bronze, a produção de víveres em Creta era abundante, a ponto de poder ser utilizada nas trocas comerciais com o Egito e a Ásia, de onde vinham metais e influência cultural. Os cultos a Afrodite e a Apolo são de origem oriental, e chegam à Grécia por volta do segundo milênio. No século XVIII a.C. haverá a destruição dos palácios cretenses, provavelmente por terremotos. Os palácios foram construídos, mais ricos do que antes, dando início ao chamado Período Neopalaciano. Paralelamente a isso, desde o século XX a.C, começa a expansão micênica pelo continente grego. No século XV a.C. os micênicos se estabelecem em Creta, dando início à chamada Civilização Micênica. Eles herdam todo o sistema político e econômico, e a cultura material, minóicos. Os palácios atingem o auge do esplendor e da riqueza. Os micênicos aproveitam também as rotas e os entrepostos comerciais minoicos, e mantém as trocas com o Egito e o Oriente. Escavações de há poucos séculos encontraram vasos de cerâmica micênica nesses lugares. A cerâmica produzida em Creta também foi encontrada em Micenas e em cidades próximas. Em outras palavras, o desenvolvimento da cultura material em Creta, levado a cabo também pelos micênicos, oriundos do continente grego, chegou à própria Micenas, Argos e Corinto, e avançou a cultura material nesses lugares. Antes dessa influência, devido ao fraco desenvolvimento econômico e social, os objetos eram rudimentares, a cerâmica era monocromática. Os objetos micênicos espalharam pela Grécia a linear B, sistema de escrita presente nos vasos e selos, e nas tabuinhas palacianas, e já decifrada por nós. A explicação do fim da civilização micênica, ocorrida no século XII, não é de fácil determinação: há a hipótese de que terremotos e incêndios destruíram os palácios; há a hipótese de invasão dos Dórios, com exércitos numerosos e usando armas de ferro, metal superior ao bronze; e há a possibilidade de que os chefes locais tenham entrado em conflito com os artesãos e agricultores, causando o fim do sistema palacial.
Referencia
François Lefevre - História do Mundo Grego Antigo
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