O homem cada vez mais estranho

Que parâmetros temos para viver? Os antigos nos parecem ter muita clareza do que seja a vida. Os gregos tinham a pederastia, uma forma de educar os jovens. A proximidade dos jovens uns com os outros, exercitando-se ao ar livre, atraía os olhares dos homens, que participavam da sociedade. O interesse e o aprendizado estavam sob o domínio de Eros. Ser um bom amante era ser um bom formador. A poesia e a literatura gregas buscaram conhecer o amor, mas não como um sentimento privado, que isola o homem do resto do mundo, e sim como uma convivência que requer certa disciplina. Já na Ciropédia, Xenofonte conta que Ciro, após reunir o apoio de muitos povos, e de fazer o Império Persa dominar os maiores poderes daquela parte da Ásia, ou seja, os Lídios e os Babilônios, viu-se diante de ter que manter suas conquistas. A organização que deu aos exércitos, uma hierarquia de classes militares, em que aquelas com homens melhores, e com menos homens, dominavam classes de homens progressivamente piores e com mais homens, facilitando o comando geral dele, Ciro impôs ao seu império. Os melhores homens estavam ao seu lado: eram disciplinados, não foram despojados das suas armas e sempre se encontravam com Ciro, que procurava faze-los mais amigos dele dos que uns dos outros. Mas, mesmo estando ao lado de outros homens, Ciro preocupava-se em ser o melhor de todos, ao invés de perder a disciplina e o vigor, como é comum àqueles que conquistam o que queriam. Hoje, o que dizemos sobre o amor? É o lançar-se de um indivíduo sobre outro, e, na maior parte das vezes, o retirar-se? Um lançar-se cada vez mais melindrado, justamente porque o meu e o teu corpo se tornaram alienígenas? Formar-se é qualificar-se para ser dono da própria empresa - o si-mesmo -, para participar de entradas e saídas cada vez mais vultosas de dinheiro, sem objetivos, sem paradas?

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