Homens excelentes e tempos difíceis
Para o seu público, as epopeias são velhas histórias. São simplesmente a ordem das coisas. Um homem tem o dever de defender a sua cidade, e também de ser um marido e um pai zeloso. Heitor está entre ambos os papéis. Ser pai e marido e lutar não se contrapõem, como poderíamos pensar. Basta ver Heitor: ele é um pai e um marido tão fantástico quanto é lutador. Não é preciso analisar o que ele faz, e ele não tem um conflito subjetivo. Quando os gregos aproximam-se da muralha de Troia, Heitor volta a casa e busca Andromaca e Astíanax. Eles se encontram. A esposa diz que será feita de escrava pelos invasores, e o seu filho, morto. Heitor insiste que a sua atuação é por todos e por eles. O elmo de Heitor faz a criança chorar. A criança tem por instinto o que os adultos terão por experiencia: a guerra é funesta. Os pais riem da inocência da criança, riem da reação transparente dela à guerra. As circunstancias e as ações são inseparáveis: aquelas exigem, estas respodem, aquelas mudam, estas também mudam. Ações excelentes para circunstâncias terríveis. Os personagens de Homero e os gregos são o que eles mostram. A vida é um palco, o homem e suas ações são para serem vistos. Quando se fala em homens e ações de outros tempos, é para se comparar o presente com o passado, engrandecendo-o ou diminuindo-o, mas sempre remetendo-o à ordem, a um certo ciclo de funcionamento do Todo.
Referência
Jaqueline de Rommily - Homero
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