De Gaia os mortais são filhos, não maridos

Segundo Hesíodo, o início da geração do Cosmos se dá com os incessantes encontros sexuais entre Gaia e Céu. Eros está ao lado deles, atuando em sua máxima força. Esses encontros geram muitas das linhagens que comporão o Cosmos (as linhagens da Noite surgem por cissiparidade, pela força de Caos). A força de Eros é tamanha que o apetite sexual do Céu é interminável: a todo momento ele quer se deitar sobre a Terra, o que não dá espaço de desenvolvimento para os rebentos, que surgem incessantemente. Foi preciso que Crono, combinado com a mãe, pegasse uma foice e castrasse o pai, para que o Céu desse um passo atrás. A introdução do tempo permitiu a criação das estações do ano. Com Zeus, filho de Crono, o Cosmos atinge sua justiça, com cada ser ocupando o lugar que lhe cabe e contribuindo para a ordem. Os mortais são filhos de Zeus. Eles pertencem à raça que precisa trabalhar para viver. Assim como os imortais, os mortais também foram gerados na Terra, mas, ao contrário deles, estão sujeitos ao declínio. "Assim como a linhagem das folhas, assim é a dos homens. Às folhas, atira-as o vento ao chão; mas a floresta no seu viço faz nascer outras, quando sobrevém a estação da primavera: assim nasce uma geração de homens; e outra deixa de existir." (Homero, Ilíada. (canto VI, 146 a 149). Também lemos em Homero que Zeus distribui tanto bens quanto males, aos mortais. A geração das coisas ao redor deles, as plantas e os animais, são dádivas. Hesíodo quer dizer para este homem não só da sua condição de folha que cai e resseca, mas também do valor do seu trabalho ordenado sobre as coisas da Terra. Com esse trabalho, produz-se a justiça na convivência entre os homens, o que espelha a justiça da Natureza. Desrespeitar os ciclos da natureza leva à perturbação da sua própria subsistência. Isso acarreta a inveja e as disputas sociais. A impiedade ante as forças da Natureza faz com que o homem experimente o Caos e certos filhos da Noite como Doença e Morte. Vemos o homem ultrapassar seus limites e tomar-se como o próprio Céu, hiperativo no seu desejo de forçar a Terra. Aonde isso vai dar?

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