Amigos no campo de batalha

Na visita da embaixada dos aqueus a Aquiles, o último a falar ao herói é Ájax, o segundo maior guerreiro dos aqueus. Odisseu, o astucioso, foi o primeiro, falando da necessidade de ajudar os companheiros e do reconhecimento de Agamenon de que ele errou com o herói. Aquiles respondeu a isso acusando Odisseu de participar da falsidade de Agamenon, tentando fazê-lo voltar a lutar por um rei que não se importava com os combatentes. Com isso, Aquiles demonstrou estar ele mesmo entrando no erro, na perdição. O segundo a falar é Fênix, homem que criou Aquiles e que, em sua fala, relembrou de homens que se desonraram ao não aceitarem súplicas no tempo devido. O homem que não aceita as súplicas de outro não o desonra, mas desonra a si próprio, perde o seu valor por desvalorizar o próprio valor heroico. Os próprios deuses aceitam os pedidos dos homens, e mudam sua ação! Com o grupo já saindo, Ájax diz que aquele homem é inamovível em sua cólera. Ele olha para Aquiles e diz que os aqueus o honram nas naus, dirigem-lhe uma solicitação de amizade. Essa é uma afirmação de amizade, de que se quer lutar ao lado do outro, e uma espera de que o solicitado queira lutar ao lado deles. A amizade é a reciprocidade da ação, diferente do desequilíbrio que há, por exemplo, na relação erótica, em que o amado é flechado pelo Eros que está nos olhos do rapazinho, e passa a persegui-lo, enquanto este se esquiva. Aquiles reconhece que aquelas palavras agradam seu coração, mas este seu órgão está inflado de ira, ocupado por um sentimento que o impede de pensar em outra coisa que não em punir aquele que o fez se sentir um pária. Aquiles conclui dizendo que só voltará a lutar caso a guerra chegue aos seus acampamentos. Quando isso acontecer, ela voltará a ser assunto dele. Por enquanto, o apelo da amizade não tem lugar em seu coração. A embaixada retorna à tenda de Agamenon. Odisseu frisa para o rei que ele está sozinho na decisão sobre o que fazer contra os troianos. Diomedes toma a palavra e diz que o coração deles se sacia com comida e descanso, e após isso lutará. Este é um coração não ocupado por algum sentimento que impeça o discernimento do que fazer. "Vamos! Devemos todos colocarmo-nos de acordo. Dormi, saciai o coração de pão e vinho, pois isso é força, isso é arroubo." (Ilíada, canto IX, 703 a 706). Referência André Malta - A selvagem perdição

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