A religião grega
Busca-se na religião grega a origem da principal religião ocidental atual, o cristianismo. A religião grega não deve ser tomada como um primitivismo, e a cristã não necessariamente foi um progresso. A religião grega foi um fenômeno singular e irrepetível, que diz respeito à civilização grega. Esta civilização, como qualquer outra, é o compartilhamento de uma língua e de uma cultura entre diferentes países. Os gregos iam até onde Homero e a língua grega alcançou: da Sicíliia, na Itália, passando pelo continente Grego, pelas ilhas do Egeu até a Anatólia e o Oriente próximo. A poesia épica contou histórias dos deuses e dos heróis adorados em diferentes lugares, fixando-os, sem impor rituais, mas oferecendo um sentido a eles. Cada lugar tinha seus próprio rituais, e achados arqueológicos atuais mostram as orações, as divindades, os gestos, os sacrifícios e a época do ano em que eles se realizavam. Desde o início, o homem pratica certos rituais. Os camponeses do neolítico grego (milênio X a.C.) buscavam propiciar aos deuses para deles receberem boa colheita, bom crescimento dos animais e proteção contra doenças e desastres. Inscrições em tábuas, desenhos em vasos e objetos diversos trouxeram a cultura minoica e micênica (milênio II a.C.) para os pesquisadores, e permitiram situar as origens da religião grega. A literatura, desde a poesia épica, passando pela lírica e a tragédia, foi a maior expressão linguística, e ofereceu imagens e histórias dos deuses e heróis para todos os usuários da língua grega e praticantes de ritos particulares. A Mãe Terra dos asiáticos é similar à Terra dos gregos, com pequenas diferenças entre si. Uma organização do Cosmos, a partir das linhagens divinas, feito por Hesíodo, procurou dar um sentido único às inúmeras práticas particulares. A centralização das práticas religiosas nos santuários de Delos, de Delfos e no Monte Olimpo ajudaram nesse sentido. Mas, a favor de um melhor entendimento, deve-se situar as diferenças entre as versões de deuses e das orações a eles dirigidas. Burkert chega a perguntar se não é o caso de falarmos em "religiões gregas", no plural. A Grécia foi múltipla, nas práticas e até nas diferenças do grego falado em cada lugar. Mas ela teve uma literatura e uma língua. A relação tensa entre o que é geral e o que é local, como se observou na Grécia Antiga, esteve de certa forma presente na mitologia, na tematização da separação e da relação entre imortais e mortais, e também na conceituação do universal, separando-o e relacionando-o com o particular, conforme fez a filosofia.
Referência
Walter Burkert - Greek Religion
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