A glória de Aquiles
No fim da Ilíada, Aquiles se viu sozinho. Ele escolheu perseguir a glória heroica, ao invés de voltar para casa. Diante de si, em sua tenda, havia apenas o corpo de Heitor. Não era possível deixar marcas no corpo de Heitor, marcas que lhe confirmassem seus feitos e lhe fizessem companhia. Aquiles atingiu a glória imorredoura mas, como ele disse na Odisseia, era melhor ser um servo entre homens do que um rei no Hades. O herói homérico é o homem excelente em sua habilidade, e é o rei guerreiro e piedoso. Agamenon é rei de reis, todos homens admiráveis. O herói de comportamento reprovável será visto posteriormente, na tragédia. Nela, a tônica será a tensão entre a liberdade e determinação. Aquiles foi o ápice e o declínio da areté da bravura. Ele sabe que seu pai não estará no seu funeral, não visitará o lugar onde seus ossos estarão enterrados. Aquiles estará sozinho para sempre. Naquela noite, recebeu o rei Príamo, conduzido por Hermes. O rei tinha um filho, que era um esposo, um pai e um amigo dos amigos. Ele ainda tem esse filho, sempre terá. Precisa do corpo de Heitor, e se ajoelha e beija a mão do assassino do seu filho e do enorme guerreiro. Este beijo é de súplica e de admiração, e pode ser ambas porque é um beijo de pai. Príamo precisa ter o seu filho consigo. Príamo admira o homem que superou seu filho. O próximo herói que conheceremos usará sua excelência para terminar acompanhado dos seus.
Referência
Jacqueline de Romilly - Homero
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