A aliança de Creso com os lacedemônios
Ciro unificou os persas e os medos num poderoso império. Diante da ameaça de invasão à Lídia, Creso, um governante com muitos territórios dominados e riquezas acumuladas, foi orientado pelo oráculo a buscar o apoio do mais poderoso exército heleno. Então, ele investigou o poder de Atenas e da Lacedemônia. Atenas acabara de ter o estabelecimento da tirania de Pisístrato,e atualmente não estava envolvida em nenhum conflito. Lacedemônia pareceu mais interessante para Creso, pois seus últimos movimentos foram de reorganização e enfrentamento militar. Antes das reformas políticas e militares de Licurgo, o governo dos lacedemônios era o pior da helade, e os conflitos externos e internos não cessavam. Licurgo instituiu as enomotias (grupos de trinta e dois soldados), as triecadas (grupos de trinta famílias), as sissitias (refeições coletivas às quais todos os cidadãos deveriam comparecer e arcar com suas próprias despesas), o grupo dos éforos (magistrados em número de cinco, eleitos anualmente, com atuação executiva, judicial e disciplinar), além do Conselho os Anciãos e dos dois reis que, juntos, compunham o senado. Essas reformas foram tão bem sucedidas, levando a Lacedemônia à prosperidade, que muitos consideravam que elas haviam sido orientadas pelo próprio deus do Oráculo de Delfos. Agora uma invasão à Arcádia seria tentada.A pítia censurou este desejo dos lacedemônios, mas apontou o território da Tegea como possível de ser tomado. Oráculo ambíguo, segundo o qual os grilhões que os lacedemônios levassem para Tegea seriam usados por eles para medirem a terra. Foi isso que aconteceu, após eles serem derrotados pelos tegeatas e postos para trabalhar. Na época do governo de Creso, na Lidia, coincidentemente a sorte militar da Lacedemônia mudou. Perguntaram à pítia o que deveriam fazer para ela lhes ser favorável. Eles deveriam ir a Tegea, e localizar e levar os ossos de Orestes, filho de Agamenon, para a Lacedemônia. O local onde um herói era enterrado recebia a sua proteção. Em uma primeira busca, os invasores não encontraram Orestes. Voltaram à pítia, que lhes disse: "Numa planície arcádia existe uma Tegea; dois ventos sopram lá, a isto compelidos, e ao golpe segue-se outro golpe, e a cada mal um outro mal se sobrepõe. Naquele ponto o seio túrgido da terra ainda esconde o filho de Agamenon; trá-lo contigo e logo tu serás o senhor de Tegea." A busca continuou difícil, mas as relações comerciais entre os povos estavam sendo retomadas. Um cavaleiro lacedemônio, chamado Licos, por um acaso viu um ferreiro tegeata trabalhando. O homem soprava o ferro, usando um fole, e o golpeava com um martelo, sobre uma bigorna. Percebendo o olhar do outro, o ferreiro parou o que estava fazendo e disse que, uma vez, cavou um poço bem ali e encontrou um ataúde medindo cerca de três metros. Abriu o ataúde, verificou que o defunto era realmente muito alto, e voltou a enterrá-lo. Licos percebeu que se tratava de Orestes, e pediu ao tegeata que lhe alugasse aquele lugar. Após alguma insistência, Licos ali se instalou. Na primeira oportunidade que teve, desenterrou os ossos de Orestes, reuniu-os e os levou-os à Lacedemônia. A vantagem deles sobre o Peloponeso, inclusive sobre Tegea, aumentou. Foi aí que Creso notou os lacedemônios, e enviou-lhes um mensageiro propondo sua amizade, sem malícia. Uma vez, os lacedemônios foram a Lídia para comprar ouro,a fim de fazerem uma estátua de Apolo, na montanha de Tôrnax. Creso deu-lhes o ouro, estabelecendo uma dívida dos lacedemônios para com ele. Por isto, e pela preferência de Creso em tê-los com amigos, distinguindo-os como os mais fortes da helade, os lacedemônios declararam o seu apoio militar ao rei Lídio.
Referencia
Heródoto - Historias
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